Ganhar dinheiro sempre é um bom chamariz. Se for rapidamente e sem esforço, melhor ainda. Seja uma nova franquia seja um golpe, você sempre encontrará audiência se o seu público acreditar que pode ganhar uns caraminguás.
No mundo selvagem da Internet, sempre houve quem oferecesse mundo e fundos em troca de uns pageviews.
Já houve a moda dos discadores com acesso gratuito, concursos milionários, e houve até quem distribuísse micros em troca de cadastro em provedores.
A última moda para os usuários ganharem uns trocos se chama PTC – Pay to Click. A proposta é simples, os sites pagam para os usuários clicarem em seus anúncios.
Até que a idéia faz sentido. Em um momento onde produtoras de videogames enchem seus produtos de “in-game advertising” e até a Adobe cogita colocar propaganda em arquivos PDF, a atenção é uma mercadoria cada vez mais escassa.
Somos bombardeados por tal quantidade de anúncios em nosso dia a dia, que automaticamente passamos a ignorá-los, como mecanismo de defesa.
Como uma empresa pode garantir que seu nome e seus serviços sejam conhecidos sem gastar milhões?
É neste cenário que surge o PTC. Com este tipo de abordagem, o anunciante tem certeza que seu anúncio será ao menos visto, sem gastar uma fortuna, a empresa de PTC ganha a verba publicitária e o usuário recebe uma comissãozinha.
Todo mundo feliz, certo?
Mais ou menos.
Onde eu assino?
Em todos os serviços o cadastro é gratuito e instantâneo, basta informar o endereço de e-mail. Para o recebimento das comissões todos usam o PayPal. Para quem não conhece o PayPal é um serviço de transferência financeira que foi adquirido pelo eBay recentemente. Os sites de PTC a partir do limite de resgate (normalmente US$ 10), pode ser solicitado o depósito em sua conta no PayPal.
Tendo a conta no PayPal, basta criar um usuário no site de sua escolha e sair clicando.
Quero números!
Quanto paga? Pouco. Todos os programas que testei oferecem US$ 0,01 por anúncio visualizado. Este é o plano básico, gratuito. Existem planos que pagam de US$ 0,0125 a US$ 0,015, mas exigem o pagamento de uma taxa mensal ou anual. Para resgatar a sua comissão, normalmente é necessário ter US$ 10,00 em crédito o que quer dizer 1.000 anúncios clicados.
Os sites exigem que o anúncio fique algum tempo sendo exibido (normalmente 30 segundos) antes de considerarem a tarefa cumprida. Você não pode tentar exibir mais de anúncio por vez e cada anúncio só pode ser clicado uma vez por dia.
Já vou avisando que todos os programas têm cláusulas contra fraudes que proíbem o uso de scripts ou a criação de múltiplas contas a partir de um mesmo endereço IP.
Nada nesta vida é fácil.
Dá para ganhar dinheiro com isso?
Aparentemente sim, mas não muito.
Vamos fazer uma conta. Se o site disponibiliza 10 anúncios por dia, 365 dias por ano, e você clicar em todos eles religiosamente, ao final de um ano você terá… US$ 36,50 ou R$ 65,70 ao câmbio de hoje (US$ 1,00 = R$ 1,80).
Ainda não dá para parar de trabalhar com isso.
Aí entra a primeira pegadinha do sistema: os referrals ou referências. Se um amigo (ou desconhecido) se cadastrar no serviço a partir de uma indicação sua, você também recebe a comissão pelos cliques dele.
Vamos refazer a conta para a mesma quantidade de anúncios por ano e considerando que o site pague pelos cliques de suas referências os mesmos US$ 0,01 que você recebe (que é como o Bux.to funciona, por exemplo, mas as regras variam dependendo do serviço). Supondo que você tenha 10 referências, o resultado será US$ 1,1 por dia e US$ 401,50 ou R$ 722,70 ao final do ano.
Ah, os milagres da matemática.
Mas antes que você chame seus colegas no MSN, vamos deixar claro que este cenário depende de duas condições: que o site disponibilize os 10 anúncios diariamente, o que nem sempre acontece e que as suas referências cliquem religiosamente todos os dias, assim como você.
Sem clique, sem dinheiro.
Isso tem futuro?
É claro que previsões são sempre arriscadas, mas acredito que três elementos colocam em risco o sistema de PTC na forma como ele se encontra hoje: instabilidade, clonagem e relações endogâmicas.
Instável quem, eu?
Os serviços de todos os sites estão aquém do ideal. Quase todos os sites ficaram indisponíveis em algum momento do meu teste. Isto não é nada bom para um serviço totalmente on-line, com certeza espanta anunciantes e usuários.
Quanto tempo demora uma troca de servidores?
Quatro dias fora por uma falha no MySQL?
O Ministério da Saúde adverte: a clonagem faz mal para seu negócio
Até agora dá para pensar que é um sistema simples de ser implantado, não? Uma página, alguns scripts, e pronto.
E pelo jeito é mesmo, tal a quantidade de serviço do gênero que existem.
A clonagem é um mal da Internet. Alguém lança uma idéia ou um serviço e na semana seguinte temos 20 clones no ar. Lembra da página de um milhão de dólares? Pois é.
O problema da clonagem de serviços é que ela enfraquece o mercado como um todo. A quantidade de anunciantes dispostos a usar estes serviços não aumenta na proporção que os serviços surgem, o que quer dizer que depois de algum tempo um número cada vez maior de serviços estarão disputando a mesma quantidade de anunciantes, ou menos, se o serviço não se mostrar viável e espantar os anunciantes.
Não é um cenário favorável à estabilidade. A maioria dos serviços tende a desaparecer, assim como muitos mecanismos de busca, serviços de e-mail gratuito e sites de leilão que sumiram por serem apenas clones, sem nenhuma idéia original.
O original.
O não tão original.
Quem anuncia?
Um item importante para a sobrevivência de um serviço de publicidade é ter anunciantes.
Quem são estes anunciantes é quase tão importante como tê-los. Eu classifiquei todos os anúncios que me foram exibidos ao longo do teste em seis categorias:
Outros PTC e sites relacionados: anúncios de serviços similares, fóruns e outros tipos de sites de apoio ao usuário de PTC.
Ganhe dinheiro rápido: anúncios do tipo ganhe US$ 3.456 por dia com o Google, o vídeo de US$ 1.604,98 e afins. Relacionei estes por que não considero o tipo de anunciante que ajuda a atrair outros anunciantes, além de na maior parte dos casos estarem a um passo do estelionato.
Hospedagem: serviços de hosting já foram mercadoria quente no passado. Hoje são apenas mais uma despesa para as empresas que dependem deles. Destaco esta categoria por que acredito tratar-se de troca de favores, assim como a primeira categoria: você hospeda meu site e eu faço propaganda de graça de sua empresa.
Internos: anúncios do próprio site. Coisas do tipo: compre referências, faça upgrade para o plano Premium e por aí vai. A inscrição é gratuita, mas os PTCs oferecem muitos serviços pagos para os seus usuários cadastrados.
Erro de exibição: erros por parte do anunciante. Por algum motivo o PTC não conseguiu exibir o anúncio do cliente, mas fez a sua parte. Como neste caso não consegui identificar de que se tratava o anúncio, crie esta categoria.
Outros: todo o resto. Na verdade, a parte mais importante.
Os números foram os seguintes:
Graficamente:
Desta forma, podemos concluir que se 53% dos anúncios são o que eu chamei de endogâmicos, os anúncios de serviços concorrentes mais os anúncios internos e apenas 18% dos anúncios são “bons”, anúncios de empresas externas ao meio e que estão injetando capital neste ramo (eu ia escrever “no negócio”, mas sempre acho esta frase estranha).
Os 53% endogâmicos são anúncios que não estão trazendo dinheiro para este tipo de empreendimento, no máximo é uma troca de favores (eu anuncio o seu, você anuncia o meu). Isto pode ajudar a reduzir despesas, mas não aumenta o faturamento.
Para que estas empresas se tornem viáveis, os anúncios deveriam estar no mínimo na proporção inversa, 60% de anúncios externos e 10% internos, pois são apenas os anúncios externos que fazem o faturamento aumentar.
Se aprendemos algo na Bolha da Internet foi que não existe isso de “Nova Economia”. A economia é uma só e para que um negócio vá para a frente ele precisa de dinheiro de verdade vindo de clientes de verdade, caso contrário é só uma forma de maquiar o balanço.
Esta mudança depende de este tipo de abordagem publicitária se mostrar viável, nem que seja para algum nicho específico.
Mas não é golpe?
Como tudo na Internet é necessário cuidado. E como a clonagem de sites corre solta, a melhor garantia de que as regras sejam respeitadas é usar serviços que já tenham sido testados e aprovados por outros.
Ah, eu quero tentar assim mesmo.
Cadastre-se no PayPal, escolha os serviços que mais te agradarem (sugiro os que disponibilizam mais anúncios por dia), leia o termo de uso, saia clicando e boa sorte!
A única maneira de ganhar dinheiro com esse tipo de programa é investindo em divulgação, você deve ter de 20 indicados pra cima pra ganhar bem e viver só de cliques se conseguirem, sucesso, e compartilhem aqui conosco, postando um comentário.
abraço, Boa Sorte !